Mensagem de Natal dos bispos católicos de Moçambique

O Advento é o tempo em que todos somos convidados a preparar, na alegria do coração purificado, a vinda do Messias

Às comunidades cristãs,
E a todas as pessoas de boa vontade.

Nós, os Bispos Católicos de Moçambique, reunidos em Assembleia Plenária, de 14 a 19 de Novembro, no Seminário de Santo Agostinho da Matola, saudamos a todas as comunidades cristãs e a todos os moçambicanos com as palavras dos anjos aos pastores de Belém: “Glória a Deus nas Alturas e Paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2,14).

O Advento é o tempo em que todos somos convidados a preparar, na alegria do coração purificado, a vinda do Messias preanunciado pelos profetas, o Príncipe da Paz.

Com profunda mágoa, porém, constatamos o grande sofrimento em que vive o nosso Povo devido às calamidades naturais, seca e inundações que deixam as populações em uma situação de fome e insegurança alimentar, e devido à crise económica, ao endividamento, ao recrudescimento da tensão politico militar, à generalização da violência e ao desrespeito pelo valor da vida: linchamentos, queimada de casas, criminalidade organizada, desmandos, raptos, assassinatos, acções de esquadrões de morte, má condução e acidentes nas estradas.

Louvamos a coragem da retomada do diálogo em vista da reconciliação e da paz duradouras entre o GOVERNO e a RENAMO com a participação dos mediadores internacionais, e também da Igreja Católica.

Deploramos que por causa de interesses particulares e ocultos se atrase a pôr ponto final a este conflito armado que continua a semear no seio da família moçambicana luto, dor, medo, ansiedade, angústia, insegurança, comprometendo o curso normal da vida social e o futuro de Moçambique.

Lamentamos igualmente atitudes e acções de intolerância, arrogância e indiferença ao contínuo grito de toda a sociedade moçambicana: paz, paz, diálogo, diálogo e reconciliação.

Diante deste cenário desolador, exortamos e encorajamos a todos a não desfalecer, mas a manter bem viva a luz da esperança porque Deus amou de tal modo o mundo que enviou o seu Filho não para condenar mas para salvar o mundo. Sim, a fé nos garante que um Menino nos nasceu, um Filho nos foi dado, chamar-se-á Conselheiro admirável, Deus forte, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu Reino e haverá paz sem fim (cf Is 9,6-7).

Convidamos, por isso, a todos para assumirmos o compromisso de juntos construirmos, através de gestos concretos de conversão, uma sociedade de reconciliação, justiça e paz. A exortação de João Baptista aos seus contemporâneos a praticar acções de tolerância, solidariedade, caridade e não-violência valem também para nós hoje “quem tem duas túnicas dê uma a quem não tem, e quem tem o que comer faça o mesmo…, não exijais mais do que vos foi ordenado, não pratiqueis violência nem defraudeis a ninguém e contentai-vos com o vosso salário” (Lc 3,10-14).

Ao terminarmos, fazemos votos de um Feliz Natal. Contemplando o mistério do Verbo que se fez homem para mostrar a sua condescendência e benevolência com a humanidade pecadora, que todos possamos ser autênticos obreiros da Paz. “Bem-aventurados os construtores da paz porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). De nada servirá a assinatura de acordos se não nos comprometemos com a causa da paz e do bem comum.

Imploramos que o Emanuel faça resplandecer a sua luz sobre nós e derrame em abundância os dons da reconciliação, da paz e da alegria nos nossos corações.

Boas Festas de Natal e um Ano Novo repletam de bênçãos.
Maputo, 19 de Novembro de 2016
Pela Conferência Episcopal de Moçambique
Ass.: + Francisco Chimoio
Arcebispo de Maputo
e Presidente da CEM

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