ReliPress | RELIGIOUS LIFE PRESS
Outubro 2016

Que questões o mundo da mídia coloca para nós, religiosos e religiosas, enquanto evangelizadores?

CONVERGÊNCIA – Nº 495 – Outubro 2016

JOANA T. PUNTEL, fsp

I PARTE

Já se passaram quarenta anos da Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (1975), na qual Paulo VI advertia que “a ruptura entre o Evangelho e a cultura é sem dúvida o drama da nossa época, como o foi também de outras épocas” (20). Os pontífices que se seguiram voltaram a repetir o refrão e a enfatizar o diálogo entre fé e cultura como uma das condições essenciais  para a evangelização. Na trajetória, constata-se a consciência dos cristãos sendo formada para tal realidade, as mentalidades, mesmo que vagarosamente, se abrindo e a inculturação se consolidando.

Hoje, poderíamos nos perguntar: onde estão os evangelizadores? Em qual contexto se situam? Quais questões o mundo da mídia coloca para nós, religiosos e religiosas? Perguntas pertinentes, uma vez que a Igreja se esforça para viver uma “nova evangelização”, o mundo da mídia muda de cenário quase a cada dia, e a vida religiosa se encontra “em  processo de transformação”.

Este artigo não tem a intenção de fazer uma análise crítica, especialmente do como estamos evangelizando. Mas coloca-se como uma provocação à qual cada um é convidado a verificar como está desenvolvendo a sua evangelização. Em que esfera estamos? Em que modelo nos “fixamos”, ou estacionamos, enquanto o mundo da mídia avança a passos largos e aciona uma reviravolta na cultura?

Imprescindível uma atenção para as palavras de Bento XVI convidando para introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais se pauta a vida de um cristão.

Nos primeiros tempos da Igreja, os Apóstolos e os seus discípulos levaram a Boa Nova de Jesus ao mundo greco-romano: como então a evangelização, para ser frutuosa, requereu uma atenta compreensão da cultura e dos costumes daqueles povos pagãos com o intuito de tocar as suas mentes e corações, assim agora o anúncio de Cristo no mundo das novas tecnologias supõe um conhecimento profundo das mesmas para se chegar a uma sua conveniente utilização. (43º Dia Mundial das Comunicações-2009)

O mundo da mídia – cenário de transformações

Antes de tudo, é preciso levar em consideração a evolução do conceito mídia. Todos sabem que a palavra mídia é uma palavra latina e é o plural de médium, que significa meio, portanto, media=meios. Com toda a evolução das tecnologias, surgimento de novos paradigmas, houve uma evolução na compreensão do que significa mídia, na sociedade contemporânea. Hoje, mídia significa um sistema complexo que compreende: o sujeito (a pessoa), os artefatos (instrumentos), as organizações de mídia, as suas articulações (por exemplo, a publicidade, marketing, etc.). E a comunicação, como cultura, é um fenômeno que marca a mudança de época neste início de milênio, mas é preciso dar-se conta de que a comunicação não é mais um conjunto de meios  “singulares” (imprensa, jornal, cinema, rádio, televisão, computador etc.), mas tornou-se uma “ambiência vital”, isto é, uma cultura que influi e na qual se move cada aspecto da vida individual e social.

O cenário que se delineia na sociedade, hoje, apresenta-se com grandes transformações, impossíveis de serem comparadas com aquelas de períodos anteriores. De fato, a contemporaneidade é muito diversa do que foi cinco anos atrás, até, talvez, alguns meses atrás, tal é a velocidade que faz emergir novas invenções tecnológicas, new media, novos ambientes, novas conectividades, novas sociabilidades, novas maneiras de produzir, novas formas de consumir, novas ofertas, criatividades, novos desafios, novos paradigmas, novas teorias, novas gerações, novo estilo de vida, novas narrativas. Vivemos, então, uma “revolução”, que se chama, hoje, a “revolução digital”, ocasionada especialmente pelos social media – expressão que já se tornou comum e incorporada no nosso vocabulário, justamente porque já não é possível separar  mídia, sociedade e mundo.

Entretanto, trata-se de transformações que não têm uma interrupção com o passado, isto é, vivemos mudanças que são, em certo sentido, desenvolvimento, evolução do que chamamos de tradicional. O que é preciso distinguir, então, é em que consistem as transformações hoje, na sociedade atual. E aqui tomamos o caminho das novas tecnologias de comunicação (hoje, já social media), relevando alguns pontos dos quais derivam questões para o desenvolvimento da evangelização.

No mundo da mídia, a diversidade é a mais ampla possível e a variedade a mais prolífera e veloz que já aconteceu na humanidade. De fato, alguns autores chegam a afirmar que se trata de algo inédito na humanidade e que “a revolução digital é hoje a última revolução comunicativa que alterou, pela primeira vez na história da humanidade, a própria arquitetura do processo informativo.”[1] Basta olhar para o volume, a complexidade de diferentes áreas  que compõem a sociedade no mundo atual. Desde a evolução e o aperfeiçoamento do que se chama hardware, das máquinas em si, para as novas maneiras de produzir conhecimento, cultura, o desenvolvimento para o mercado com marketing sempre mais sofisticado, incluindo a modificação de produzir conteúdos, por exemplo e também, as novas maneiras de consumir produtos.

A Internet tem trazido uma mudança na produção da informação provocando a passagem de um número limitado de formas (unidades) de informação para um número ilimitado de formas e tamanhos (websites) mesmo com critérios de formatos, plataformas standard de texto ou imagens. Isto resultou em um  enorme crescimento do volume de informações, dados (data) e arquivos, novas formas de autoria individual (blogs, vlogs, etc) também autoria coletiva (Wikpedia) que levou o criador da World Wide Web, Tim Berners-Lee, colocar para nós a possibilidade de interagir em todos os níveis.[2]

O fato é que a mídia avança cada vez mais ocupando espaço na vida das pessoas. A circulação da informação, por exemplo,  faz emergir novos ambientes. E a evolução desses novos ambientes midiáticos propiciam tanto  a maior circulação dos conteúdos, como também permitem as pessoas participarem dos processos de elaboração  e de distribuição dos conteúdos. É fato crescente e verificável , então, que a tecnologia vem ocupando praticamente todos os espaços no dia-a-dia das pessoas e estas interagem. Assim os formatos de mídia se veem obrigados a acompanhar esses avanços tecnológicos e a comunicação passa por mudanças significativas.

As redes sociais, por exemplo, permitem que seus usuários façam muitas vezes o papel de repórter e propaguem informações praticamente em tempo real, função anteriormente restrita aos jornalistas. Isso não significa, no entanto, que o jornalismo perdeu importância, tampouco que não haja espaço no mundo virtual para o bom e velho fazer jornalístico. O desafio agora é encontrar novas formas de marcar presença no cotidiano do público, acompanhando a velocidade cada vez mais intensa das informações.

Na verdade os saltos tecnológicos das últimas décadas tem sido cada vez mais velozes e a internet (sempre em evolução) já ocupa o espaço de todas as áreas da sociedade, introduzindo, sem dúvida, transformações nas áreas financeiras, políticas, na produção de bens culturais, mas também na área das ciências sociais, das humanas, da religião, enfim dos relacionamentos; a verdadeira revolução, talvez, seja mesmo a das relações. Com o domínio da internet, muito brevemente se poderá dizer que todo o mundo estará conectado. Isso atinge e provoca mudanças nas relações humanas, pois elas também vão se globalizar. Daí que as pessoas precisarão se adaptar, até, se “reinventar” para conseguir acompanhar o ritmo das transformações em todas as áreas. Este é o mundo da mídia, que avança e “reina” independentemente de nossa vontade. Para a evangelização realizar o diálogo entre fé e cultura, impõe-se o imperativo do aggiornamento, mas também do discernimento.

Se quisermos outro exemplo, é perceptível constatar que marketing e comunicação perceberam que o público já não se aglomera na frente de simples aparelhos de tevê, ou passa horas folheando jornais e revistas, ou ouvindo o radinho em estádio de futebol. Ainda que distantes das chamadas mídias tradicionais, as pessoas estão mais informadas e, mais do que isso, interagem com outras. É uma avalanche de celulares, tablets, notebooks e outros gadgets com acesso à web.

Considerando o quadro evolutivo da trajetória da comunicação, mencionado brevemente, e  a provocação que a cultura midiática cria e re-cria na sociedade hoje, damo-nos conta de que algo, nunca vivido anteriormente, está se passando e “forjando um novo sujeito” na sociedade, onde permanecem necessidades fundamentais do ser humano, mas modificam-se rápida e profundamente a sua forma de se relacionar. É o que constitui o aspecto antropológico-cultural da mensagem de Bento XVI em seu tema “Novas tecnologias. Novas relações”, para o 43º Dia Mundial das Comunicações (2009).

Colocada no contexto da “pós-modernidade”, a comunicação não se restringe  mais a um único setor da atividade humana (aquele dos meios de comunicação social). Ela inaugura o advento de um complexo modo de viver, redistribui e interage com a cotidianidade das pessoas, onde se constroem os significados através das formas simbólicas e da diversidade da linguagem da mídia. Já advertia André Lemos a respeito do ciberespaço como um novo ambiente que cria uma nova relação entre a técnica e a vida social [3], espaço onde se encontram as culturas e os vários modos de pensar, de agir, de sentir.

Portanto, não se trata simplesmente de adquirir um novo computador. A mudança consiste em uma passagem de uma “ideia” que possuíamos até o momento a respeito do texto, da leitura. Dá-se uma mudança de método, isto  é, escrever não é mais oferecer simplesmente uma mensagem pronta que comunica a intenção do autor, mas oferecer material para o trabalho do leitor, que, agora, se transforma em “autor”. Muda-se a forma de produzir.  Muda, então, a função do chamado receptor. É o usuário que se serve, como deseja, dos produtos de consulta; pode escolher segundo os seus gostos e desejos. Assim, especialmente a hipermídia, favorece o desenvolvimento da interatividade de forma extraordinária. Trata-se não apenas de uma ”novidade” a mais no mercado e, sim, de novas linguagens que já se encontram, progressivamente, na área da educação. Você pode perceber isto através dos cursos a distância que estão proliferando  de forma crescente em todo o país. Chegamos a uma etapa na qual cada pessoa se transforma em um “nó” comunicativo coligado a todos os outros. Nessa perspectiva, não se poderá mais viver senão “em rede”.

Na fase industrial, e como característica da modernidade,  temos a Cultura de Massa, como uma “profusão ilimitada dos signos”. Ligada ao processo de desenvolvimento industrial e urbano, a  comunicação de massa inicia a produção  de um produto industrializado e hegemônico. Consequentemente temos uma cultura hegemônica. Neste contexto, a comunicação de massa se transforma em  produção e transmissão de formas simbólicas. É uma grande mudança, profunda, na sociedade, porque a comunicação  de massa, como forma simbólica, começa a mediar a “cultura moderna”. É a fase industrial.

Já, na pós-modernidade, a comunicação chegou a constituir-se como uma nova ambiência, um conjunto de valores, uma forma nova de viver, de nos movimentar, de nos socializar. E isto é, do ponto de vista antropológico (nossas crenças, nossos estilos de vida, nossos costumes etc.), uma cultura midiática (é bom sempre lembrar o que  foi mencionado anteriormente sobre a evolução do conceito mídia), isto é a comunicação que realmente se constitui em um elemento articulador que gera, administra, sustenta, desenvolve e ancora todos os aspectos de vida/sociedade que vivemos na sociedade contemporânea.

Enfim, ousamos dizer que estamos submersos na cultura midiática, especialmente porque “as novas tecnologias da  comunicação nos colocam em um novo território de vivência humana, em que a mente se encontra imersa em um mundo virtual, circunscrita a várias dimensões e mescladas de conexões inter-humano-digitais, mediada por complexo sistema de informações em crescimento exponencial acelerado”.[4] (BOCCARA apud GOSCIOLA, 2003).

Sem dúvida estamos diante de uma “revolução perceptiva e cognitiva”, onde a cultura contemporânea, associada às tecnologias digitais (ciberespaço, simulação, tempo real, processos de virtualização etc) cria de forma crescente uma nova relação entre a técnica e a vida social que denominamos de cibercultura (LEMOS, 2002). Participamos, assim, de uma realidade nunca antes vivenciada, a do “Homo media”, como afirma Vicente Gosciola (2003), entendida como aquela em que “o ser humano não só está entre os meios de comunicação, mas interage com eles e neles interfere”.

Trajetória das principais formas de comunicação

Uma passagem rápida pelas principais formas de comunicação nos ajudarão a compreender e a situar-nos no cenário das formas de comunicação que se destacam como três grandes modelos (dos quais derivam outros, sem dúvida!). Tais tipos de comunicação implicam na mudança de mentalidade. São eles: a comunicação dialógica presencial; a comunicação de massa; a comunicação dialógica não presencial.

É preciso considerar, entretanto, que o surgimento de um novo modelo comunicacional não representa o desaparecimento do anterior. Ao contrário, representa a ampliação de formas comunicacionais e novas combinações da comunicação na sociedade. Portanto, além de procurar entender os nexos de um modelo comunicacional específico, é preciso ver também qual o papel que o mesmo desempenha, na relação com os outros modelos ou tipos de comunicação.

– A Comunicação dialógica presencial – aquela que chamamos de interação face a face e que percorre largos tempos históricos para chegar até aqui. Nesse tipo de interação, os integrantes estão presentes de forma direta um para o outro e compartilham de uma estrutura espaço-tempo comum; em outras palavras, a interação acontece num contexto de co-presença. A interação face-a-face é «dialógica» tipicamente, no sentido de que geralmente implica num fluxo comunicativo e informativo de duas vias; um dos indivíduos fala com o outro (ou outros) e a pessoa a quem ele se dirige pode responder (pelo menos em princípio), e dessa forma o diálogo se desenrola (BRITTO, 2009).

Ao permitir a interação, o diálogo, este modelo foi e é fundamental para o desenvolvimento de todo o pensamento humano, se compartilharmos a visão de que o mesmo se dá a partir do conflito de ideias e de seu aprimoramento. É neste processo que evolui o pensamento e, consequentemente, a própria pessoa. Em síntese, apesar do surgimento de novos modelos comunicacionais, o modelo dialógico presencial é o fundante e decisivo para dar a tônica ao todo comunicacional. Os demais modelos buscam de alguma forma, simulá-lo. Por isso, os modelos seguintes têm sempre presentes elementos dele (mesmo que não sejam completos), pois, dependem da repercussão da comunicação realizada neste modelo todas as demais pretensões de comunicação.

– A Comunicação de massa – é o modelo da comunicação nas chamadas mídias tradicionais de massa, o qual envolve cinema, rádio, televisão. Teve papel marcante no século passado e ainda é o principal referencial de comunicação na sociedade atual. As características fundamentais deste modelo são: comunicação mediada pela técnica; ausência de diálogo, apesar de existir troca de sentidos. É altamente monológico. Não tem o mesmo nível de reciprocidade e de especificidade interpessoal de outras formas de interação, seja mediada ou face-a-face. Superou fronteiras geográficas e culturais, transformou a circulação de bens simbólicos num grande mercado, com crescente importância econômica, e com influência social indiscutível.

É importante notar que, neste modelo se desenvolve a unilinearidade, do Emissor para o Receptor (o feedback é muito restrito e somente para realimentar a fonte), portanto, praticamente não há interatividade. Há o consumo. Observemos que, praticamente, todos os métodos de ensino, de pastorais, enfim da sociedade em geral e, portanto, das mais variadas instituições, estão baseadas nesta unilinearidade (poderíamos dizer assim: uni=único, línea=linha, portanto, linha única de A para B).

– A Comunicação dialógica não presencial – tem origem recente e, portanto, revela-se como um elemento novo, que reestrutura o todo comunicacional em outros termos, já que tem influência crescente. Observemos que volta a palavra diálogo.

A marca essencial deste novo modelo é a combinação da relação dialógica com a mediação técnica, permitindo a simulação do primeiro modelo de comunicação por cima de barreiras de tempo e espaço. Temos, então, a cultura digital. Os cursos a distância, por exemplo são um diálogo não presencial. Os bate-papos, as redes sociais etc. são um diálogo não presencial.

É preciso dizer que este novo modelo guarda as características mais positivas de seus precedentes: a questão dialógica como construtora do desenvolvimento do conhecimento e da subjetividade e a mediação das técnicas permitindo superar barreiras geográficas. Entretanto, é preciso ressaltar, também, o que ela não contém: a presença, fator importante da confiabilidade dialógica; e a difusão ampla, própria do modelo de comunicação de massa (BRITTO, 2009).

O ciberespaço é a dimensão social em que se realiza este novo modelo de comunicação, através de chats, e-mails, teleconferências, listas de discussão etc.

A cibercultura é a nova forma da cultura. Entramos hoje na cibercultura como penetramos na cultura alfabética  há alguns séculos. Entretanto, a cibercultura não é uma negação da oralidade ou da escrita, ela é o prolongamento destas; a flor, a germinação, como afirmou Pierre Levy na apresentação do livro de André Lemos, citado já neste texto.

Desafios fundamentais? Ou apenas “troca de máquinas”?

Assim, todas as teorias que buscavam refletir sobre o modelo dialógico presencial, sobre o modelo de comunicação de massa ou sobre a relação de ambos, estão agora desafiadas a entenderem o novo modelo e levá-lo em conta na nova configuração do todo comunicacional (uma nova visibilidade), procurando iluminar suas ligações e o papel de cada modelo dentro dela.

Na verdade, cultura digital, ou cibercultura são nomes que marcam a cultura contemporânea, especialmente a partir da década de 1970 do século passado, com o surgimento da microinformática.  É a microinformática que vai dar o tom planetário, “que ganha uma dimensão mais radical com o surgimento das redes” afirma o pesquisador André Lemos  (2002, p. 137).

No dizer do sociólogo, é, então, essa cultura do telefone celular, dos computadores, das redes, dos micro-objetos digitais que funcionam a partir do processo eletrônico digital. Em outras palavras, a cibercultura seria a cultura contemporânea, onde os diversos dispositivos digitais já fazem parte da nossa realidade. Não raro, ao falar de cibercultura, tem-se uma idéia futurista, uma idéia de ficção científica. Mas, na realidade trata-se da cultura hoje marcada por  essas ferramentas eletrônicas (LEMOS, 2002). É só olhar ao nosso redor!

Mas o que realmente mudou? Houve uma alteração na nossa relação com os objetos técnicos na atualidade, diz Lemos, ou seja, pela primeira vez, talvez, temos o digital, a dimensão técnica colocada à dimensão da comunicação. Por isso, a importância de considerar que se trata de tecnologias não apenas  da transformação material e energética do mundo, mas elas permitem a transformação comunicativa, política, social e cultural. Pois conseguimos, segundo Lemos, transitar informações, bens simbólicos, não materiais, de uma maneira inédita na história da humanidade.

Daí o ciberespaço: o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores. A comunicação acontece através de mundos virtuais compartilhados: internet, interatividade, realidade virtual, blog, podcast, redes sociais (network…).

Interação – palavra chave no mundo da mídia digital

As mídias sociais estão, progressivamente, mudando a comunicação, ou seja, a sua própria natureza. Ate o papa Bento XVI reconheceu esta mudança em sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações (2011). Perceber a mudança, as transformações da cultura midiática, contribui para transformar nossa mentalidade, uma vez que não é mais possível dialogar com as pessoas de hoje, principalmente as novas gerações, se não estivermos dentro da cultura digital. Isto exigirá mudança de métodos na própria evangelização.

Portanto, diante da complexidade do que significa mídia, da sua evolução de conceitos e paradigmas, é preciso considerar o surgimento de uma nova visibilidade que está definitivamente relacionado a novas maneiras de agir e interagir trazidas com a mídia. É o que John B. Thompson nos ajuda a refletir em seu artigo.

É preciso entender os caminhos pelos quais o avanço das mídias comunicacionais transformou a natureza da interação social. É o sociólogo  Thompson quem mostra  em seu livro A Mídia e a modernidade (2010), uma perspectiva que pode ser entendida como uma “teoria interacional” da mídia, pois o autor analisa os meios de comunicação em sua relação com as formas de interação que eles tornam possíveis e das quais eles são parte.

Pensemos, por exemplo, na “interação” que as redes sociais propiciam. Segundo o sociólogo,

[…] as mídias comunicacionais não se restringem aos aparatos técnicos usados para transmitir informações de um indivíduo a outro enquanto a relação entre eles permanece inalterada; ao contrário, usando as mídias comunicacionais  ‘novas’ formas de agir e interagir são criadas (THOMPSON, 2010, p. 17).

Nova VISIBILIDADE…

É uma linguagem: um relcionamento “onde se está, se é, se vive. Em outras palavras, a Internet – Redes Sociais digitais são parte integrante da nossa vivência cotidiana. Nesse ambiente, é preciso que o ser humano, especialmente o comunicador cristão, descubra, também, novos métodos de desenvolver o apostolado, a pastoral.

A comunicação nas redes é uma “cultura participativa” que contrasta com noções mais antigas sobre a passividade dos espectadores dos meios de comunicação. Em vez de falar sobre produtos e consumidores de mídia como ocupantes de papéis separados, podemos, agora considerá-los como participantes interagindo de acordo com um novo conjunto de regras que nenhum de nós, realmente, entende por completo. Surgem, então, as chamadas “comunidades virtuais”. A necessidade de interagir, e com a disponibilidade dos dispositivos tecnológicos, incentiva a busca de relacionamento com quem tem interesse afins, daí as conversas girarem entre pontos comuns – a formação das “comunidades”, resultando em “novos pertencimentos”.

Já é consenso entre os pesquisadores, incluindo o pesquisador jesuíta Antônio Spadaro, que a Internet está mudando, sim, nosso modo de pensar e de viver a fé na contemporaneidade. “Se a Internet está mudando nosso modo de pensar, ela não estará modificando a nossa forma de pensar a fé? Está alterando nosso modo de pensar e viver a experiência da Igreja? Está transformando a nossa maneira de ler a Bíblia?”

Para Spadaro, as recentes tecnologias digitais não são mais somente tools, isto é, instrumentos completamente externos ao nosso corpo e a nossa mente. “ ‘Os modernos meios de comunicação há tempo fazem parte dos instrumentos comuns através dos quais as comunidades eclesiásticas se expressam, entrando em contato com o seu próprio território e estabelecendo, muitas vezes, formas de diálogo mais abrangentes’.”

Segundo Spadaro, as redes sociais não expressam um conjunto de indivíduos, mas um conjunto de relações entre os indivíduos. “O conceito chave não é mais a ‘presença’ na Rede, mas a ‘conexão’: estando presente, mas não conectado, se está ‘só’. Se eu interajo eu existo. O indivíduo entra na Rede para experimentar ou ampliar de algum modo a proximidade/vizinhança. Deve-se, portanto, entender como o conceito de ‘próximo’ evolui a partir da Rede.”

Importante perceber que a lógica da Internet implica que o conhecimento passa pela relação. “A web 2.0 é uma rede de relações, o conteúdo não é comunicado através da transmissão, mas por compartilhamento. Se um conteúdo é transmitido, ele não é conhecido, mas se é compartilhado, sim. Exemplo: no meu blog, se eu publicar e deixar apenas ali, poucos irão ler. Já tentei fazer isto. Mas seu eu postar no Twitter, imediatamente mais de 2000 pessoas irão ler no mesmo dia.”

II PARTE

A primeira provocação (ou desafio) que o diálogo entre fé e cultura nos coloca, na nova evangelização, depende da nossa absorção, do nosso não somente entendimento, e compreensão, mas do fazer a passagem de modelos, de métodos pastorais que já não subsistem, que já não dialogam mais com a cultura atual. É isto que Bento XVI, numa compreensão profunda da cultura digital, diz: está nascendo uma nova maneira de aprender e de pensar. É aqui o nó da questão! Uma provocação!

A consciência do SER e do ESTAR na sociedade contemporânea. Trata-se de conhecer o mundo da mídia. Certamente não se pretende ser especialista, mas também não meros “operadores de instrumentos”, de programas softwares. Muitas escolas, inclusive de religiosos (as) possuem seus laboratórios de informática que não vão além do ensino técnico aos estudantes. Perde-se, aí, uma grande oportunidade de evangelização, por  desconhecer as possibilidades que as novas tecnologias oferecem. Assim lembra o documento Igreja e Internet

Hoje, todos precisam de algumas formas de educação mediática permanente, mediante o estudo pessoal ou a participação num programa organizado, ou ambos. Mais do que meramente ensinar técnicas, a formação mediática ajuda as pessoas a formarem padrões de bom gosto e de verdadeiro juízo moral, um aspecto da formação da consciência. Através das suas escolas e programas de formação, a Igreja deve oferecer uma educação mediática deste gênero (2002,  7)

O emergir das novas tecnologias, da mídia… implica perceber que elas exercem profundas intervenções na maneira de viver, de produzir, de ensinar, de aprender.  Não se trata, portanto, de aceitar ou rejeitar. Há os que rejeitam… há os que aceitam… há os que são obsessivos. Aqui entram os “critérios”. Quando nos encontramos dentro do mundo da mídia, nossa vida religiosa, nossa identidade, nossa personalidade, nossos desejos, nossas curiosidades, nossa missão de evangelizar… tudo vem à tona.   Uma das grandes questões que o mundo da mídia nos coloca é a provocação para interrogar-se sobre os “critérios” que regem a vida de cada um, o movimentar-se dentro de um universo sem fronteiras. Aqui entra o imperativo do equilíbrio nascido de uma formação humana, cristã e religiosa bem consolidada. Pois quando falamos em novas linguagens/nova evangelização, não se trata de expor uma fenomenologia dos instrumentos da rede para a evangelização (ou como usá-los…). Não se trata também de uma reflexão puramente sociológica de como a internet  trata a religiosidade. É algo mais profundo, isto é, a lógica da rede assinala o modo de pensar, conhecer, comunicar, viver.[5]

Onde estamos? Fixação do passado? Um presente dinâmico?

Partindo do pressuposto de que realizar o diálogo entre fé e cultura, hoje, nos desafia a ultrapassar o simples uso dos instrumentos das novas tecnologias, mas a compreender que as tecnologias digitais (ciberespaço, processos de virtualização, redes…) criam de forma crescente uma nova relação entre a técnica e a vida social que denominamos de cibercultura (LEMOS, 2002). Participamos, assim, de uma realidade nunca antes vivenciada, a do “Homo media”

É o caso de nos perguntar onde nos situamos: na fixação do passado ou na “reinvenção” na maneira de exercer a missão. Ligado ao Magistério da Igreja e a necessidade de levar em consideração as novas linguagens na evangelização, cabe aqui refletir a intervenção de D. Claudio M. Cielli, presidente da Pontifícia Comissão para as Comunicações Sociais (Vaticano), no Sínodo de 2012, sobre a Palavra de Deus:

A nova evangelização nos pede de estarmos atentos à “novidade” do contexto cultural no qual somos chamados a anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo; mas também à novidade dos métodos (…) Estamos vivendo momentos de profundas mudanças na comunicação. Elas são visíveis  no que diz respeito à técnica. Mas na CULTURA são mais significativos ainda.

Não podemos simplesmente fazer aquilo que sempre fazíamos e como fazíamos com as tecnologias. Hoje, mais do que nunca temos necessidade de audácia e sabedoria  para evangelizar. Então, primeiramente, fazer atenção que a Boa Nova deve ser proclamada também digitalmente. E o outro desafio é mudar o nosso estilo de comunicação. Devemos ocupar-nos, sobretudo da questão da LINGUAGEM. No fórum digital, há o espontâneo, o interativo e o participativo.  Estamos aprendendo a superar o modelo do púlpito.

Nova percepção da fé. A maneira de transmiti-la

Um grande desafio que se apresenta hoje, na cultura digital, é o emergir de uma nova percepção da fé. Em outras palavras, não é a fé que vai mudar,  mas a sua percepção, sim.  Tanto que, para sermos mais precisos e realistas, não é a fé que está em crise, pois a fé é sempre a mesma. O que está em crise é a transmissão da fé. E esta tem a ver com a linguagem, com novas maneiras de desenvolver o processo comunicativo. Passa-se da unilinearidade (emissor para o receptor, que chamávamos de destinatário) para um processo comunicativo em rede e interativo. E nós não estamos acostumados a termos interlocutores, mas só ouvintes. Trata-se de perceber que a nossa produção de conteúdos (sejam falados, impressos ou virtuais) mais do que seguir um fluxo unidericional (por exemplo: teatro, livro, cinema, rádio e TV), agora, “a comunicação em rede apresenta-se como um conjunto de telas nas quais é impossível reconstruir uma única fonte de emissão, um único sentido, uma única direção”.[6] Já a pesquisadora Lúcia Santaella nos adverte que

O emissor não emite mais mensagens, mas constrói um sistema com notas de navegação e conexões. A conexão passa a ser um programa interativo que se define pela maneira como é consultado de modo que a mensagem se modifica em que atende às solicitações daquele que manipula o programa. Essas manipulações se processam por meio de uma tela interativa ou interface que são lugar e meio para o diálogo.[7]

Assim que nossos métodos de desenvolver a comunicação seja na pastoral, nos conteúdos que produzimos nas mais diferentes áreas, deveriam ter o cuidado de levar em conta uma das palavras chaves da cultura digital, a interatividade. O que poderíamos chamar de interlocutor, começa a estar também no palco e não somente na platéia, usando uma metáfora. Assim, por exemplo, o jornalismo começa passar por grandes transformações, porque não é mais preciso esperar que chegue fisicamente o reporter a um determinado lugar para fazer a cobertura, pois enquanto vai, alguém já enviou a notícia ao jornal pelo WhatsApp e assim por diante – o povo começa a se tornar jornalista.

Ao lado desse exemplo que tem somente a intenção de tornar mais clara a mudança de processos comunicativos, podemos pensar também em nossas revistas, por exemplo, que devem estar cada vez mais conectadas com outras interfaces. Não é mais possível produzir uma revista que seja só do estilo de emissor e receptor (leitor) unilinearmente. Assim também nossos sites religiosos, na maioria das vezes, não passam de colocar em movimento (eletrônico) aquilo que já está no papel, como se fosse uma vetrine em movimento. É preciso que haja um espaço para a interatividade. E esta deve ser estimulada. Muitos sites são até  muito bem ilustrados, mas não passam de uma vetrine vocacional, onde simplesmente se apresenta a Congregação Religiosa e suas obras, por exemplo. Já é um passo, mas precisa ir além de somente informar; é necessário abrir espaço para a interconexão, a interatividade. Por isso que o papa Bento XVI já nos dizia na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações (2013):

quero deter-me a considerar o desenvolvimento das redes sociais digitais que estão a contribuir para a aparição duma nova ágora, duma praça pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade. Estes espaços, quando bem e equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se realizadas com respeito e cuidado pela privacidade, com responsabilidade e empenho pela verdade, podem reforçar os laços de unidade entre as pessoas e promover eficazmente a harmonia da família humana.

Para levar em conta e praticar o que o Magistério da Igreja nos adverte para estarmos atentos à importância dos social media como novos espaços de evangelização, é preciso, porém, estar abertos para o pluralismo, que, por vezes, nos desinstala e até desconcerta, mas que já foi reconhecido pelo Concílio Vaticano II, se quisermos desenvolver o diálogo entre fé e cultura. A percepção para o novo tipo de gerações que vem  surgindo, mas o compreender que a lógica que as alimenta já não é mais aquela com a qual muitos de nós fomos educados. Às vezes nos firmamos em “valores” que nem mesmo nós praticamos, mas os ostentamos para assegurar nossa “autoridade”. É preciso sempre distinguir que fé, valores… seja na educação (formação), seja na evangelização, eles passam por processos comunicativos que estão em contínua mudança e que podemos expressar assim: novas maneiras de aprender, novas maneiras de ensinar, nova maneira de pensar (novas lógicas). Deus, a fé,  não mudam. Muda a sua percepção.

Assim, faz-se urgente descobrir a maneira cristã de estar na rede, por exemplo, pois, “se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial. O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens” (BENTO XVI. Dia Mundial das Comunicações, 2013). Para nós, emerge vigorosamente a necessidade de fazer com que a rede amadureça de lugar de conexão para lugar de comunhão, diz Spadaro.[8]

Conclusão

Iniciamos este artigo abordando a importância de realizar o diálogo entre fé e cultura, já mencionado por Paulo VI na Evangelii Nuntiandi. Queremos concluir com as palavras de São João Paulo II, na Exortação Apostólica pós-sinodal Vita consecrata (1996, n. 98), como um dos fatores indispensáveis para a vida religiosa hoje, no diálogo com o mundo: “No seio da vida consagrada há necessidade de um renovado amor pelo empenho cultural, de dedicação ao estudo”. E o documento Perscrutai  afirma que “é  motivo de profundo pesar que tal imperativo não seja sempre acolhido e ainda menos recebido como exigência de reforma radical para os consagrados…” (Perscrutai, Ano da Vida Consagrada, 2014, n.9)[9].

E as recentes palavras de Francisco na Evangelii Gaudium, sobre o anúncio do evangelho no mundo atual referindo-se ao “pragmatismo cinzento” que pode se apoderar da Igreja no qual “tudo procede dentro da normalidade”, mas que deteriora a fé, pode também desenvolver em nós “a psicologia do túmulo, que pouco a pouco transforma os cristãos em múmias de museu” (EG. 83). Isto acontece quando resistimos à mudança de mentalidade, damos por descontado o aspecto cultural na vida religiosa e não avançamos para além de simples “usar” os meios de comunicação, sem o esforço para perceber a nova lógica que está se estabelecendo.

Não poderiam ser mais apropriadas do que estas, as palavras de Bento XVI aos participantes da assembleia geral do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais ( e certamente para nós, evangelizadores!), ao afirmar:

Não se trata somente de exprimir a mensagem evangélica na linguagem atual,  mas é preciso ter a coragem de pensar de maneira mais profunda, como aconteceu em outras épocas, a relação entre a fé, a vida da Igreja e as transformações que o homem está vivendo. É o esforço para ajudar todos que são responsáveis pela Igreja a serem capazes de entender, interpretar e falar a “nova linguagem” das mídias na função pastoral, em diálogo com o mundo contemporâneo (…)[10]

Somente assim, poderemos repetir e vibrar com as palavras de Francisco “Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!” (EG 83).

Questões para ajudar a leitura individual ou o debate em comunidade

A partir das considerações aqui apresentadas, refletir sobre  atitudes e práticas em nível pessoal, comunitário, de Província e de Congregação:

  1. Como nos relacionamos com o mundo da mídia, na sociedade contemporânea?
  2. O que significa cultura digital? Como compreendemos que esta exige uma mudança de mentalidade para podermos realizar o diálogo entre fé e cultura?
  3. Damo-nos conta de que nós, religiosos e religiosas, também precisamos repensar muitos de nossos métodos pastorais para sermos evangelizadores, hoje?
  4. Qual o interesse sobre a importância de uma educação para a comunicação?

 
 
 


[1] DI FELICE, Massimo. Pós-complexidade: as redes digitais vistas a partir de uma perspectiva reticular. Revista IHU, 12/11/2011.

[2] Cf. COULDRY, Nick. Media, Society, World – social theory and digital media practice. 3 ed. Cambridge (UK): Polity Press, 2013. p. 10

[3]  LEMOS, André . Cibercultura – tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina, 2002.

[4] BOCCARA, Ernesto G. (Instituto de Artes da Unicamp), na apresentação do livro Roteiro para as Novas Mídias.

[5] CF. SPADARO, Antonio. Ciberteologia. São Paulo: Paulinas, 2012.

[6] DI FELICE. Do público para as redes. A comunicação digital e as novas formas de participação social. São Caetano do Sul (SP): Difusão Editora, 2008, p. 45.

[7] Lúcia Santaella. Navegar no ciberespaço – o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004, p. 163.

[8] SPADARO, Antonio. Quando a fé se torna social. São Paulo: Paulus, 2016.

[9] Congregação para os Institutos de vida consagrada e as sociedades de vida apostólica. PERSCRUTAI,   Vida Consagrada. São Paulo: Paulinas, 2014.

[10]  Em 28 de fevereiro de 2011.

 
 
 
Joana T. Puntel, natural de Sobradinho – RS, é irmã Paulina, doutora em Comunicação Social pela Simon Fraser University (Canadá) e Universidade de S. Paulo (USP). Jornalista, escritora, pesquisadora, professora de comunicação e de Teologia (Programa de pós-graduação PUCRS). Conferencista em partes do Brasil e do exterior sobre Igreja, Comunicação, Cultura. Autora de várias obras entre as quais: Comunicação: diálogo dos saberes na cultura midiática; Igreja e Sociedade – método para trabalho em comunicação; Cultura Midiática e Igreja: uma nova ambiência.

Contato: joana.puntel@gmail.com

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