ReliPress | RELIGIOUS LIFE PRESS
Fevereiro 2017

Os quatro verbos de Francisco para responder aos desafios da migração

Rosinha Martins

Por ocasião do 6° Fórum Internacional sobre Migrações e Paz que tem como  lema “Desenvolvimento e integração – da reação à ação”, realizado em Roma, o Papa Francisco concedeu, na manhã desta terça, 21, um encontro com os cerca de 250 participantes vindos de vários países.

Após uma calorosa acolhida na Aula Clementina, no Vaticano, que fez os presentes se sentirem em casa, e depois de ouvir atentamente, com olhar e coração de pastor, o três testemunhos de refugiados que retrataram a sua trajetória de imigrantes, Francisco dirigiu a todos uma mensagem sobre o fenômeno das migrações na atualidade e enfatizou estratégias de ações eficazes para a busca da Paz em tempos de migração, que, segundo ele, são fundamentadas em quatro verbos: Acolher, proteger, promover e integrar.

Ao frisar estes quatro verbos, Francisco fez um apelo incisivo à acolhida digna dos migrantes e refugiados e pediu que estes não se fechem à cultura dos países de acolhida; ressaltou que a proteção é um imperativo moral e deve ser traduzida em “programas oportunos e humanizantes na luta contra os ‘traficantes de carne humana”, que lucram com as desgraças dos outros, coordenar os esforços de todos os atores, entre os quais, podem estar certos, estará sempre a Igreja”.

Francisco condenou o sistema capitalista e a hegemonia das grandes potências que concentram as riquezas e deixam milhares e milhões à margem recolhendo as migalhas e criticou o atraso do processo de descolonização. “Fazer justiça significa também reconciliar a história com o presente  globalizado, sem perpetuar a lógica da exploração de pessoas e territórios, com base no mais cínico uso do mercado, para incrementar o bem-estar de poucos. Como afirmou o Papa Bento, o processo de descolonização foi retardado, adiado  “seja por novas formas de colonialismo e de dependência dos velhos e novos Países hegemônicos, seja pelas graves irresponsabilidades internas desses mesmos Países que alcançaram a independência” [12]. Tudo isso precisa ser reparado”.

Francisco frisou, ainda, que a pergunta bíblica do livro do Gênesis,  “onde está o seu irmão?”, é feita para cada um de nós, pois a resposta é individual, o que significa que cada um tem a responsabilidade de aplicar concretamente, no cotidiano da sua vida, estes quatro verbos, quando a questão é migração e refúgio. “Onde está o teu irmão? (cf Gen 4,9): esta pergunta, que Deus faz ao homem desde as origens, nos envolve, hoje, especialmente, sobre os irmãos e irmãs que migram: “não é uma pergunta aos outros, uma pergunta dirigida a mim, a você, a cada um de nós”.

Justiça, Fraternidade, encontro, solidariedade, integração, acolhida, proteção, promoção, foram palavras-chaves da mensagem de Francisco.

Ao final da sua fala, Francisco pacientemente cumprimentou todos os participantes da audiência, o que causou a impressão de ser, esse Pontífice, um Papa diferenciado pelo seu olhar atento a cada pessoa em particular que lhe saudava, pela sua simplicidade e humildade, pela sua bondade e pelas suas sábias  palavras, que animam a todos, porque  fundamentadas, acima de tudo, no seu testemunho de vida.

deixar um comentário

* campo obrigatório

boletim informativo

Assine a newsletter

Siga-nos no..