ReliPress | RELIGIOUS LIFE PRESS
Julho 2017

A tentação da Igreja

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente estaria em aliar-se ao poder temporal.

Quando Madre Teresa recebeu autorização para deixar a clausura e conviver com os mendigos, no lixão de Calcutá, o capelão do colégio lhe disse:

– Agora que a senhora vai trabalhar com os pobres, naturalmente irá pedir o apoio do Governador…

E Madre Teresa balançou a cabeça, negativamente, pois só esperava contar com Deus. Vinte e cinco anos depois, a Fundadora contava com 5.000 membros em sua Congregação. Ela confiava em um Deus fiel…

Aqui e ali, autoridades da Igreja aceitaram alianças com reis e imperadores que acabaram por contaminá-la e dificultar sua missão central. Houve tempos em que o Papa coroava o imperador. Houve tempos em que os bispos deviam ser “aprovados” pelas lideranças políticas. Ainda acontece na China do Séc. XXI.

Em pleno Império Soviético, alguns ramos da Igreja Ortodoxa acreditaram que deviam fazer concessões ao Kremlin para garantirem a sua sobrevivência diante do clima de aguda perseguição do governo ateu contra os cristãos. Em 1921, na Igreja Ortodoxa Russa, a maior parte dos bispos que se recusaram a “cooperar” foi exterminada. Milhares de sacerdotes fiéis ao Evangelho que não conseguiram emigrar, foram detidos e executados. Apenas os padres “leais ao governo” comunista foram mantidos em seu serviço. Depois de determinar que as comunidades cristãs rezassem pelo poder dominante, o Metropolita Sergei foi nomeado por Stalin como “patriarca” da Igreja.

Hoje, na China, há “duas” igrejas católicas: uma subterrânea, fiel a Roma, perseguida, com 8 milhões de membros na clandestinidade; outra oficial, aprovada pelo órgão do governo comunista conhecido como Associação Patriótica Católica Chinesa, com 5 milhões de seguidores.

A tentação é sempre a mesma: buscar outro tipo de apoio fora do próprio Cristo. Esse apoio pode ser o poder político, o saber filosófico ou teologias da ação que dispensam a Graça divina.

No Ocidente cristão, multiplicam-se os grupos de nomenclatura cristã que focam sua ação pastoral na obtenção de fundos para a missão. Falando francamente, passa a valer tudo para conseguir dinheiro. Tais denominações e institutos desviam seus membros da evangelização propriamente dita para a geração de renda, mesmo que isto inclua a edificação de estruturas (bancos, teatros, universidades…) que absorvem toda a energia vital, na qualidade de autênticos ídolos de nosso tempo.

Enquanto isso, no alto da montanha, Jesus insiste: “Dai a César o que é de César… Dai a Deus o que é de Deus…”

deixar um comentário

* campo obrigatório

O Lutador

Publicação mensal do Instituto dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora. BR

continue
boletim informativo

Assine a newsletter

Siga-nos no..