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Julho 2017

Dom Pedro Casaldáliga, um pastor presente nas terras vermelhas do Mato Grosso

Dom Pedro viveu e vive pobre. Literalmente pobre: nada para si, tudo para os outros

Quando Jesus disse, em Mateus 16, 18: “Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja” não apenas deu ao seu discípulo a missão de ser líder da Igreja que nascia sob a sua inspiração e exemplo, como também abriu passagem para um dos santos mais conhecidos da Igreja Católica, especialmente celebrado neste tempo de festas juninas.

Segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, a mensagem central do santo, que foi seguidor e testemunha de Jesus, para os dias de hoje é tentar ser fiel, corresponder à graça do chamado. “Vemo-nos um pouco em São Pedro: somos desejosos de seguir Jesus, mas nem sempre somos fiéis. São Pedro percebe caminhos não previstos: descobre a presença do reino entre os que não eram do Povo Hebreu. É o sinal da comunhão dos irmãos”, disse.

Assim como o Pedro de Betsaida, escolhido por Jesus, para ser um pescador de homens, o bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), nascido Pere Casaldàliga i Pla em 16 de fevereiro de 1928, no município de Balsareny (província de Barcelona, na Espanha), tornou-se um pescador de “pés descalços sobre a terra vermelha” no Brasil.

Pedro Casaldáliga chegou a Mato Grosso em 1970 para atuar como o primeiro bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, função que ocupou até 2005. Já nos primeiros anos na região, ao lado de outros padres espanhóis, envolveu-se com a defesa de povos indígenas, ameaçados pela violência dos conflitos agrários e pela expansão dos latifúndios.

Sua história já foi representada nos palcos do teatro, na peça “Fica Pedro”, encenada pela Companhia Cena Onze de Teatro. Nas telas do cinema teve a sua vida retratada no filme “Descalço sobre a Terra Vermelha”, coproduzido pela TV Brasil com mais duas televisões públicas, a espanhola TVE e a catalã TVC e baseado no livro que leva o mesmo nome, de autoria de Francesc Escribano.

Ele já viu a Terra Indígena de Marãiwatsédése, razão maior de sua luta, ser reconhecida pela justiça brasileira e devolvida ao povo Xavante do Mato Grosso, em dezembro de 2012. O engajamento do bispo emérito lhe transformou em referência internacional na luta por direitos dos indígenas e direitos humanos.

“Nada prá si, tudo para os outros”

Tendo sido o 2º bispo prelado de São Félix do Araguaia de 2005 a 2011, dom Leonardo Steiner pôde morar junto a dom Pedro no “Palácio episcopal” e conhecer como o bispo vive na radicalidade a opção pelos pobres: “Dom Pedro viveu e vive pobre. Literalmente pobre: nada para si, tudo para os outros”, disse. Por outro lado, o secretário-geral da CNBB destaca a sua riqueza espiritual e intelectual.

Dom Leonardo destaca ainda que dom Pedro foi um pastor presente. “As comunidades, as pessoas conheciam a dom Pedro pessoalmente. Visitava, na medida do possível, as famílias. Organizou a Prelazia com Equipes Pastorais; procurou preparar os leigos para assumirem a vida da comunidade; realizou anualmente a Assembleia da Prelazia, apesar das distâncias e dificuldades de comunicação. Esteve atento às necessidades dos posseiros, indígenas…”

Dos seus 89 anos, completados dia 16 de fevereiro, mais da metade foi dedicada à Igreja no Brasil, especialmente à luta dos povos indígenas no Mato Grosso. Esses são alguns dos fatos que marcam a trajetória do bispo emérito da prelazia de São Félix do Araguaia, distante 1.159 km de Cuiabá.

Natural da Catalunha, Espanha, o religioso ficou conhecido também por lutar contra a violência dos conflitos agrários, bem como por suas posições políticas. Além da atuação pastoral, Casaldáliga é conhecido pela produção literária, tanto de poesias quanto de manifestos, artigos, cartas circulares e obras com cunho político ou de temas ligados a espiritualidade, editadas e publicadas no Brasil e no exterior.

Com saúde debilitada, Casaldáliga vive atualmente sob os cuidados de religiosos numa comunidade na cidade de São Félix do Araguaia, cuja Prelazia hoje tem como titular dom Adriano Ciocca Vasino. Devido à idade avançada, Casaldáliga tem dificuldades para algumas atividades, como leitura, e não fala ao telefone há anos por causa dos problemas de audição.

Há dois anos, teve de se submeter a uma cirurgia após fraturar o fêmur em um acidente doméstico. A debilidade física, contudo, não impede que seu legado, como pastor em defesa dos direitos humanos e indígenas, continue a inspirar muita gente no Brasil e mundo afora.

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