ReliPress | RELIGIOUS LIFE PRESS
Novembro 2017

Menores em trânsito

Revista Esperança nº 16 - 2º semestre de 2017

Ir. Sandra Maria Pinheiro, mscs

“Se bem orientados e protegidos, esses menores podem fazer a diferença no futuro de nossa sociedade. Acolhê-los, dar-lhes vez e voz, não é somente uma questão de caridade evangélica, mas um enriquecimento para ambas as partes”.
(Papa Francisco)

Caros(as) leitores(as).
O tema central da Revista Esperança deste semestre é a realidade dos migrantes de menor idade, vulneráveis e sem voz. Por meio dos diferentes conteúdos e das matérias aqui apresentados queremos chamar a atenção para a realidade desses pequenos que, órfãos da violência e da guerra, bem como da miséria e da fome, se colocam nas rotas migratórias, aventurando-se em busca de trabalho e de melhores perspectivas de vida, sendo os primeiros a pagar o preço oneroso da emigração, tornando-se vítimas da violência, da busca desenfreada pelo lucro, do tráfico de pessoas, da exploração laboral e do abuso de menores.

Os diferentes conteúdos nos oferecem alternativas de como podemos responder a essa realidade. Em primeiro lugar, tornando-nos conscientes de que o fenômeno migratório não é alheio à historia da salvação, mas constitui um sinal dos tempos. Um sinal que fala da obra providen-cial de Deus na história e na comunidade humana, tendo em vista a comunhão universal, encorajando-nos a reconhecer o desígnio dEle também nesse fenômeno, com a certeza de que ninguém é estrangeiro na comunidade cristã, que “abraça todas as nações, tribos, povos e língua” (Ap 7,9).

A leitura dos conteúdos nos deixa claro que é preciso apostar na proteção, na integraçãoe em soluções duradouras para superar essa desafiante realidade. Trata-se de adotar todas as medidas possíveis para garantir a proteção e defesa dos menores migrantes, para que não caiam na indigência e na falta de meios de sobrevivência, tornando-se, assim, vítimas fáceis da exploração laboral e do abuso sexual. Neste sentido, encontramos aqui reflexões relacionadas com as iniciativas das Irmãs Missionárias Scalabrinianas ou de instituições eclesiais e civis que, com grande esforço, oferecem tempo e recursos para proteger os menores das mais variadas formas de abuso, para que possam se tornar construtores de uma sociedade mais justa, humana e fraterna.

Sendo assim, é preciso trabalhar pela integração das crianças e dos adolescentes migrantes, favorecendo-lhes a inserção social, para que, em sua condição de migrantes, não caiam no serviço da criminalidade organizada, mas tenham seus direitos salvaguardados e sejam respeitados em sua dignidade de filhos de Deus. Com essas reflexões, convocamos a todos para que busquemos e adotemos soluções duradouras para esse complexo fenômeno da migração dos menores de idade. Fenômeno que deve ser enfrentado pela raiz, para salvaguardar a dignidade e o respeito devido a cada ser humano, filho(a) de Deus, pois, como nos diz o papa Francisco, estamos seguras de que “se bem orientados e protegidos, esses menores podem fazer a diferença no futuro de nossa sociedade”.

Unindo-nos, ainda, ao papa Francisco, convidamos a todos que caminham pelas vias da emigração a ter um olhar de misericórdia e de bondade para com esses peque-nos peregrinos, pois “eles precisam da vossa ajuda preciosa! […] Não vos canseis de viver, com coragem, o bom testemunho do Evangelho, que vos chama a reconhecer e acolher o Senhor Jesus presente nos mais pequenos e vulneráveis!”.

Boa leitura a todos(as).

Ir. Sandra Maria Pinheiro, mscs
superiora provincial

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Revista Esperança

Publicação semestral da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo (Scalabrinianas) - BR

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